Auditoria de PSAV: quando é obrigatória e como contratar

Auditoria

Auditoria de PSAV: quando é obrigatória e como contratar

20 de agosto de 2026

Categoria

Auditoria de PSAV: quando o Banco Central exige, o que o trabalho e a asseguração incluem, prazos, o que faz o custo variar e como escolher o auditor.

A auditoria de PSAV, a prestadora de serviços de ativos virtuais, não é um item opcional de conformidade. É parte da disciplina do ambiente que o Banco Central passou a regular para quem intermedeia, custodia ou negocia ativos virtuais no Brasil. Se a sua empresa é uma PSAV autorizada ou está em processo de autorização, a pergunta prática não é se você vai precisar de auditoria e asseguração independentes, e sim quando elas são obrigatórias, o que o trabalho inclui, quanto tempo leva e como escolher quem vai assinar o relatório.

Este guia responde a essas perguntas de forma direta, do ponto de vista de quem já decidiu contratar e está avaliando fornecedor. Para uma PSAV, dois serviços se somam: a auditoria independente das demonstrações financeiras e a asseguração razoável e limitada sobre informações específicas do ambiente de ativos virtuais, como a segregação patrimonial e a prova de reservas. É sobre esses dois eixos que este texto se concentra.

Antes dos detalhes, vale a orientação de sempre: números fechados de preço e prazo dependem do porte e da complexidade de cada instituição. O que apresentamos abaixo são faixas e critérios de variação, não valores inventados. Para uma estimativa aderente à sua realidade, o caminho é uma conversa pelo nosso contato.

Quando a auditoria é obrigatória e quem exige

A PSAV é uma prestadora de serviços de ativos virtuais que passou a operar dentro de um perímetro autorizado e supervisionado pelo Banco Central, com regras de autorização, capital, segregação patrimonial, prevenção à lavagem de dinheiro e prestação de informações. Por operar nesse ambiente, a PSAV está sujeita a exigências que incluem a auditoria independente das suas demonstrações financeiras e a asseguração de informações específicas do seu negócio, como a existência e a titularidade dos ativos de clientes.

A exigência aparece por caminhos que se somam. O primeiro é o processo de autorização, que pede demonstrações e informações confiáveis para que o regulador avalie a instituição. O segundo é a obrigação contínua da PSAV autorizada, que precisa apresentar demonstrações auditadas e submeter-se à asseguração recorrente das informações do ambiente de ativos virtuais enquanto operar. O terceiro é a expectativa de clientes, investidores e parceiros, que passam a tratar a auditoria e a prova de reservas independentes como condição de confiança, sobretudo em um modelo cuja essência é a guarda de valores de terceiros. Em todos esses casos, quem assina o relatório precisa ser auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários, com estrutura e independência compatíveis com o ambiente regulado.

Situação da PSAV

Leitura sobre auditoria e asseguração

Em processo de autorização no Banco Central

Demonstrações confiáveis e, conforme o porte, auditadas, como insumo do processo

Autorizada a funcionar

Demonstrações auditadas e asseguração recorrente das informações de ativos virtuais

Custódia de ativos de clientes

Asseguração sobre segregação patrimonial e prova de reservas por auditor registrado

Buscando investimento ou parceria

Auditoria e prova de reservas tratadas como condição de relacionamento

O que o trabalho inclui na prática

Para uma PSAV, o trabalho tem duas camadas que se complementam. A primeira é a auditoria das demonstrações financeiras, que segue as normas brasileiras e internacionais de auditoria e examina se as demonstrações refletem, em todos os aspectos relevantes, a posição financeira e o resultado da instituição. A segunda é a asseguração sobre informações específicas do ambiente de ativos virtuais, conduzida sob a norma de trabalhos de asseguração, que se debruça sobre afirmações como a segregação entre o patrimônio da instituição e os ativos de clientes e a correspondência entre os ativos custodiados e as obrigações de restituição.

No caso específico de uma PSAV, alguns pontos concentram atenção. O primeiro é a separação entre o que é da instituição e o que é do cliente: como a PSAV guarda ativos de terceiros, é essencial verificar o que entra no balanço da instituição e o que permanece fora dele, evitando que valores de clientes sejam tratados como se fossem da empresa. O segundo é a prova de reservas, isto é, a demonstração de que os ativos existem, são de titularidade adequada e cobrem as obrigações com clientes, com evidência que resista a exame. O terceiro é a governança das chaves e da custódia, dado que o controle sobre o acesso aos ativos é o coração do risco. O quarto são os controles gerais de tecnologia e a conciliação entre registros internos e a informação registrada em rede, porque a operação é digital de ponta a ponta. O quinto é a conformidade com prevenção à lavagem de dinheiro e com as regras de transferência de informações entre prestadores, cujos reflexos contábeis e de divulgação se conectam ao trabalho.

Prazo típico e o que o cliente precisa entregar

O prazo depende do porte da PSAV, da maturidade dos seus controles e da qualidade da informação disponível. Como referência de ordem de grandeza, o trabalho costuma se organizar em fases ao longo do exercício, com planejamento e avaliação de controles antes do fechamento e execução dos testes de saldos e das verificações de asseguração após o fechamento do período. A asseguração da segregação e da prova de reservas tem, além disso, uma cadência própria, com verificações que precisam de dados íntegros no momento certo. Instituições com controles maduros e informação organizada chegam ao relatório com previsibilidade; instituições com base desorganizada gastam tempo apenas reconstituindo o que deveria estar pronto.

Do lado do cliente, o que acelera o trabalho é a entrega tempestiva de informação confiável. Isso inclui as demonstrações e os registros contábeis conciliados, a relação de ativos próprios e de clientes com a respectiva segregação, os dados de custódia e de endereços que sustentam a prova de reservas, a documentação dos controles de tecnologia e de governança de chaves, as políticas e os registros de prevenção à lavagem de dinheiro, os contratos relevantes e as informações regulatórias apresentadas ao Banco Central. Quanto mais organizado o dado, menor o tempo de execução e menor o atrito. A auditoria e a asseguração não substituem a contabilidade e os controles da instituição: elas os examinam, e dependem deles para andar.

O que faz o custo variar

Não existe preço único de auditoria de PSAV, e desconfie de quem oferece um número fechado sem conhecer a sua operação. O custo é função do esforço técnico necessário, e esse esforço varia por critérios objetivos. O primeiro é o porte, medido por volume de operações, número de clientes e tamanho dos ativos custodiados, porque mais operação e mais custódia significam mais teste. O segundo é a complexidade do negócio, já que uma PSAV que combina intermediação, custódia e outros serviços tem mais frentes a examinar do que uma operação de escopo estreito.

O terceiro critério é a maturidade dos controles internos, de tecnologia e de governança de chaves: controles confiáveis permitem uma abordagem mais eficiente, enquanto controles frágeis obrigam a ampliar os testes. O quarto é a qualidade e a tempestividade da informação, porque base desorganizada consome horas, e a prova de reservas é especialmente sensível à integridade do dado. O quinto é o escopo somado, já que auditoria das demonstrações e asseguração da segregação e das reservas são trabalhos distintos que se complementam. O sexto é a estrutura societária, com auditoria individual e, quando há grupo, também consolidada. A forma correta de comparar propostas não é olhar só o valor, e sim entender o escopo, as horas previstas e a senioridade da equipe por trás de cada número.

Como escolher o auditor, com critério verificável

A escolha do auditor de uma PSAV deve passar por critérios que você consegue verificar, não por impressão. O primeiro é o registro: o auditor precisa estar registrado na CVM para atuar no ambiente regulado, e isso é checável. O segundo é a especialização no mercado financeiro e em ativos virtuais, porque auditar e assegurar uma PSAV exige entender a segregação entre patrimônio próprio e de clientes, a prova de reservas, a governança de chaves e a conciliação entre registros internos e informação em rede, e não apenas demonstrações genéricas.

O terceiro critério é a independência, que precisa ser real e documentada, sem conflitos que contaminem a opinião. O quarto é a estrutura e a senioridade da equipe efetivamente alocada, porque quem executa o trabalho importa tanto quanto o nome na proposta. O quinto é a metodologia e a capacidade de lidar com dados de custódia, com verificação de reservas e com controles de tecnologia. O sexto é a clareza do escopo e da comunicação, com um plano de trabalho que explicita fases, entregas e responsabilidades tanto da auditoria quanto da asseguração. Peça referências no setor, avalie a aderência da equipe ao seu tipo de operação e compare propostas pelo escopo, não apenas pelo preço.

O que acontece se não fizer

Deixar de cumprir a exigência de auditoria e asseguração em um ambiente regulado não é um risco abstrato. Para a PSAV em processo de autorização, a ausência de demonstrações confiáveis e de informações verificáveis sobre segregação e reservas trava o próprio processo. Para a PSAV autorizada, o descumprimento expõe a instituição a questionamentos do supervisor, com reflexos que vão de exigências adicionais a medidas mais severas, dependendo da gravidade e da reincidência.

Há também o custo silencioso da falta de credibilidade, que pesa ainda mais em um modelo cuja essência é a guarda de valores de terceiros. Clientes, investidores e parceiros tratam a auditoria e a prova de reservas independentes como sinal de confiabilidade, e a sua ausência pesa em captação, em relacionamento comercial e em processos de fusão ou aquisição. Uma demonstração não auditada, ou uma prova de reservas sem asseguração independente, vale menos no momento em que a instituição mais precisa de confiança externa. Cumprir a exigência com um auditor adequado não é apenas evitar problema com o regulador: é construir um ativo de credibilidade que a PSAV usa a favor do próprio crescimento.

Perguntas frequentes

Toda PSAV precisa de auditoria independente?

A PSAV opera em um ambiente autorizado e supervisionado pelo Banco Central e está sujeita à disciplina contábil e regulatória do setor, o que inclui a auditoria das demonstrações financeiras por auditor independente registrado na CVM e a asseguração de informações específicas do ambiente de ativos virtuais. A exigência alcança a instituição autorizada de forma recorrente e tende a se aplicar também no processo de autorização, conforme o porte. Na dúvida sobre o seu enquadramento, o mais seguro é avaliar a situação específica da instituição.

Qual a diferença entre a auditoria das demonstrações e a asseguração da PSAV?

São trabalhos distintos que se complementam. A auditoria das demonstrações financeiras conclui se as demonstrações refletem, em todos os aspectos relevantes, a posição e o resultado da instituição. A asseguração se debruça sobre afirmações específicas do ambiente de ativos virtuais, como a segregação entre patrimônio próprio e de clientes e a prova de reservas. Uma PSAV costuma precisar dos dois, porque cada um responde a uma pergunta diferente do regulador e do mercado.

O que é prova de reservas e por que ela é auditada?

Prova de reservas é a demonstração de que os ativos de clientes existem, são de titularidade adequada e cobrem as obrigações de restituição da instituição. Ela é objeto de asseguração porque, em um negócio que guarda valores de terceiros, a confiança depende de uma verificação independente de que os ativos estão lá e batem com o que é devido aos clientes. Sem asseguração, a prova de reservas é uma afirmação da própria instituição sobre si mesma.

Quanto tempo leva e quanto custa a auditoria de uma PSAV?

O prazo e o custo dependem do porte, da maturidade dos controles, da qualidade da informação e do escopo somado de auditoria e asseguração. Não há preço fechado sem conhecer a operação, e a prova de reservas é especialmente sensível à integridade do dado. Ao comparar propostas, avalie escopo, horas previstas e senioridade da equipe, e não apenas o valor final. A melhor forma de estimar o seu caso é a partir de um escopo definido em conjunto com o auditor.

Como a MERC pode ajudar?

A MERC é uma auditoria especializada no mercado financeiro brasileiro e conduz a auditoria independente das demonstrações financeiras de prestadoras de serviços de ativos virtuais e a asseguração da segregação patrimonial e da prova de reservas, com equipe que conhece o ambiente regulado pelo Banco Central e a operação de custódia digital. Para avaliar o enquadramento da sua instituição, definir escopo e receber uma estimativa aderente à sua operação, fale com a MERC pelo contato.

Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento contábil, regulatório ou de investimento. As exigências aplicáveis a cada PSAV dependem dos fatos específicos e do texto integral das normas vigentes.

Guia tecnico: auditoria de PSAV, quando e obrigatoria e como contratar

Quando o Banco Central exige auditoria e asseguracao de uma prestadora de servicos de ativos virtuais, o que o trabalho inclui, o prazo tipico e os criterios para escolher o auditor.