Demonstrações financeiras de PSAV e relatório de asseguração

Auditoria

Demonstrações financeiras de PSAV e relatório de asseguração

18 de agosto de 2026

PSAVs precisam de demonstrações confiáveis e de asseguração. Contabilização de ativos virtuais próprios e de clientes, divulgação e o papel do auditor.

Uma PSAV precisa responder a duas perguntas contábeis que a maioria das empresas nunca enfrenta. A primeira: como registrar no balanço um ativo virtual que é da própria sociedade? A segunda, mais delicada: como tratar os ativos virtuais que pertencem aos clientes e estão sob custódia da sociedade? A resposta a essas perguntas define a estrutura das três demonstrações financeiras principais, o balanço patrimonial, a demonstração do resultado e a demonstração dos fluxos de caixa, e determina o que precisa ser divulgado em nota. Sobre tudo isso, o regime ainda adiciona um relatório de asseguração independente que instrui o processo de autorização. Este artigo conecta as três pontas: contabilização, demonstrações e asseguração. Não trata de nenhuma empresa específica.

Para empresas nessa situação, a MERC atua com auditoria independente, apoiando a estruturação dos controles e da evidência exigida.

Resumo

  • A PSAV precisa separar, na contabilidade e na divulgação, os ativos virtuais próprios dos ativos virtuais de clientes sob custódia. Confundir as duas coisas é o erro que distorce o balanço e enfraquece a proteção do cliente.

  • O ativo virtual próprio exige política de reconhecimento e mensuração fundamentada, aplicada de forma consistente e divulgada com clareza, porque não há uma regra única e trivial para todo tipo de ativo virtual.

  • As três demonstrações, balanço, resultado e fluxos de caixa, precisam refletir com fidelidade a posição e o desempenho da sociedade, com notas que expliquem a natureza dos ativos, a custódia de terceiros e os riscos.

  • O relatório de asseguração exigido no processo de autorização olha principalmente para controles, mas se apoia na mesma disciplina que sustenta demonstrações confiáveis: evidência, trilha e conciliação.

Esse tema é tratado diretamente na frente de auditoria e asseguração de PSAVs.

Item

Ativo virtual próprio

Ativo virtual de cliente (custódia)

Natureza

Recurso da sociedade

Recurso de terceiro sob guarda

Efeito no balanço

Compõe o ativo da sociedade

Exige tratamento e divulgação da obrigação de custódia

Mensuração

Política fundamentada e consistente

Conciliação com as obrigações perante clientes

Divulgação

Natureza, política e riscos

Segregação, prova de reservas e responsabilidades

O que é da sociedade e o que é do cliente

A separação entre ativo próprio e ativo de cliente é o eixo de toda a contabilidade de uma PSAV. Um ativo virtual próprio é recurso da sociedade e compõe o ativo do balanço como qualquer outro bem que a empresa detém. Um ativo virtual de cliente, sob custódia, é recurso de terceiro: a sociedade o guarda, mas não é dele o dono. Tratar os dois da mesma forma infla o balanço com o que não é da sociedade e, pior, apaga contabilmente a fronteira que a segregação patrimonial existe para proteger.

O tratamento e a divulgação da custódia de terceiros precisam deixar claro que aqueles ativos pertencem aos clientes, que estão segregados e que a sociedade tem uma obrigação de guarda e devolução, não um direito de propriedade. É a contabilidade refletindo o que a segregação assegura no mundo real. Quando essa fronteira fica nítida nas demonstrações, o usuário entende a real exposição da sociedade. Quando fica turva, a demonstração engana, mesmo sem intenção.

A contabilização do ativo próprio não é trivial

Registrar o ativo virtual próprio exige uma decisão de política contábil, porque não existe uma regra única e óbvia que sirva para todo tipo de ativo virtual e todo modelo de negócio. A sociedade precisa definir, com fundamento, como reconhece o ativo e como o mensura ao longo do tempo, considerando a natureza do ativo, a intenção de uso e o modelo de negócio. E precisa aplicar essa política de forma consistente, para que exercícios sucessivos sejam comparáveis, e divulgá-la com clareza, para que o usuário saiba sob qual critério aquele número foi produzido.

A volatilidade dos ativos virtuais torna a mensuração um ponto sensível. O critério escolhido afeta o resultado e o patrimônio, e mudanças de valor precisam ser tratadas de forma coerente com a política adotada. Aqui, a disciplina é a mesma de qualquer estimativa relevante: método definido, dados verificáveis, trilha da mensuração. Um ativo mensurado sem suporte é uma fragilidade que aparece no exame, exatamente onde o julgamento é maior.

As três demonstrações e as notas

As três demonstrações principais precisam refletir com fidelidade a sociedade. O balanço patrimonial mostra a posição: os ativos próprios, incluindo os virtuais, as obrigações e o patrimônio, com a custódia de terceiros tratada e divulgada de forma que não se confunda com recurso próprio. A demonstração do resultado mostra o desempenho: receitas de intermediação, de custódia e de transferência, custos, e os efeitos das variações de valor dos ativos próprios conforme a política adotada. A demonstração dos fluxos de caixa mostra a geração e o uso de caixa, o que em um negócio de ativos virtuais tem particularidades, porque nem todo fluxo relevante passa por caixa tradicional.

As notas explicativas são onde a PSAV realmente se explica. É nelas que a sociedade descreve a natureza dos ativos virtuais que detém, a política de reconhecimento e mensuração, a estrutura de custódia de terceiros e a segregação, a prova de reservas e os riscos a que está exposta. Uma demonstração de PSAV com notas pobres não cumpre seu papel, porque o essencial desse negócio, a natureza dos ativos e a fronteira entre próprio e de cliente, vive justamente na divulgação.

O relatório de asseguração conecta tudo

O regime de autorização adiciona um relatório de asseguração independente que olha principalmente para os controles, com foco em prevenção à lavagem, sanções e governança. Ele não é a auditoria das demonstrações financeiras, é um trabalho distinto, com objeto próprio. Mas se apoia na mesma disciplina que sustenta demonstrações confiáveis: evidência suficiente, trilha do que foi feito e conciliação entre o que se afirma e o que se comprova.

Na prática, uma sociedade que mantém suas demonstrações com rigor, que separa próprio de cliente, que concilia reservas com obrigações e que documenta suas políticas chega ao trabalho de asseguração em posição muito mais forte, porque a evidência que o auditor procura já existe. Uma sociedade que trata a contabilidade de forma informal enfrenta o oposto: precisa produzir, sob pressão de prazo, a evidência que deveria ter sido gerada ao longo do tempo. Contabilidade disciplinada e asseguração bem-sucedida são, no fundo, a mesma cultura de evidência aplicada a objetos diferentes.

Um caso anonimizado

Considere uma plataforma que mantinha contabilidade suficiente para fins fiscais, mas sem tratar as particularidades do negócio. Os ativos virtuais próprios e os de clientes conviviam sem uma fronteira contábil nítida, a política de mensuração dos ativos próprios nunca foi formalizada e as notas explicativas eram genéricas, sem descrever a custódia nem a segregação. Quando o processo de autorização se aproxima, e com ele a asseguração, três frentes se abrem ao mesmo tempo. É preciso separar contabilmente o que é próprio do que é de cliente, formalizar a política de mensuração e reconstruir notas que expliquem o negócio. Cada uma dessas frentes exige evidência que não foi produzida no tempo certo. Nenhuma decorre de má-fé. Decorre de tratar um negócio de ativos virtuais com uma contabilidade de propósito geral. A lição é que as demonstrações de uma PSAV precisam refletir a natureza do negócio desde o início, não a partir do pedido de autorização.

Como a MERC pode ajudar

A MERC apoia PSAVs a estruturar demonstrações financeiras que refletem a natureza do negócio e sustentam o processo de autorização. Ajudamos a separar, na contabilidade e na divulgação, o ativo próprio do ativo de cliente sob custódia, a formalizar a política de reconhecimento e mensuração dos ativos virtuais e a construir notas explicativas que expliquem custódia, segregação, prova de reservas e riscos. Conectamos essa disciplina ao trabalho de asseguração independente exigido no processo de autorização, de forma que a evidência que o auditor procura já exista quando o trabalho começa. Como auditoria especializada no mercado financeiro brasileiro, aplicamos ao negócio de ativos virtuais o rigor de demonstrações e evidência que aplicamos a instituições reguladas. O objetivo é que as demonstrações e o relatório de asseguração contem, de forma coerente, a mesma história verificável.

Perguntas frequentes

Os ativos virtuais dos clientes entram no balanço da PSAV como ativo próprio?

Não. Ativos de clientes sob custódia são recursos de terceiros, não propriedade da sociedade. Precisam de tratamento e divulgação que deixem clara a obrigação de guarda e devolução e a segregação em relação ao patrimônio próprio. Confundir os dois infla o balanço e apaga a fronteira que a segregação protege.

Existe uma regra única para contabilizar ativo virtual próprio?

Não. A sociedade precisa definir, com fundamento, como reconhece e mensura o ativo, considerando a natureza, a intenção de uso e o modelo de negócio, aplicar essa política de forma consistente e divulgá-la com clareza. A volatilidade torna a mensuração um ponto sensível que exige método e trilha.

O relatório de asseguração é a auditoria das demonstrações financeiras?

Não. É um trabalho distinto, com objeto próprio, focado principalmente nos controles de prevenção à lavagem, sanções e governança. Mas se apoia na mesma disciplina de evidência que sustenta demonstrações confiáveis, e uma contabilidade rigorosa fortalece a posição da sociedade no trabalho de asseguração.

Por que as notas explicativas são tão importantes em uma PSAV?

Porque o essencial do negócio, a natureza dos ativos virtuais e a fronteira entre próprio e de cliente, vive na divulgação. É nas notas que a sociedade descreve a política de mensuração, a estrutura de custódia, a segregação, a prova de reservas e os riscos. Notas pobres esvaziam a demonstração.

Para aprofundar, conheça o serviço de asseguração razoável e limitada da MERC.

Este artigo trata de alguma empresa específica?

Não. O conteúdo trata do tema técnico, demonstrações financeiras e contabilização de ativos virtuais em PSAVs e o relatório de asseguração, sem referência a qualquer empresa, plataforma ou caso nominal. Os exemplos são anonimizados e ilustrativos.

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Guia técnico: demonstrações financeiras de PSAV e ativos virtuais

Contabilização de ativos virtuais próprios e de clientes, relatório de asseguração NBC TO 3000 e divulgação.