CPC 28: como contabilizar propriedade para investimento

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CPC 28: como contabilizar propriedade para investimento

6 de outubro de 2026

Categoria

O CPC 28 define o que é propriedade para investimento e a escolha entre custo e valor justo. Veja classificação, mensuração e o que o auditor examina.

Um imóvel no balanço parece simples até a pergunta ser: por que a empresa o possui. A resposta muda tudo. Um galpão onde a companhia opera é imobilizado. Um terreno comprado para revender no curso normal do negócio é estoque. E um prédio mantido para alugar ou para valorizar ao longo do tempo é propriedade para investimento, uma categoria própria, com regras próprias. O CPC 28, convergente com a norma internacional IAS 40, é o pronunciamento que define essa categoria e, principalmente, a escolha contábil que ela abre: medir esses ativos pelo custo ou pelo valor justo. Para fundos imobiliários, holdings patrimoniais, incorporadoras e qualquer empresa com imóveis de renda, é uma das decisões contábeis de maior efeito sobre o balanço e o resultado. Para a revisão dessas escolhas nas demonstrações, veja nosso serviço de auditoria independente.

Resumo

  • O CPC 28, convergente com a norma internacional IAS 40, trata do imóvel mantido para alugar ou para valorizar, a propriedade para investimento, categoria distinta de imobilizado e de estoque.

  • A classificação depende da finalidade da posse: gerar fluxo de caixa de forma amplamente independente dos demais ativos da entidade.

  • Após o reconhecimento inicial pelo custo, a entidade escolhe, para toda a classe, entre o método do custo e o método do valor justo.

  • No método do valor justo não há depreciação e a variação vai para o resultado; mesmo quem adota o custo precisa divulgar o valor justo em nota explicativa.

Aspecto

Método do custo

Método do valor justo

Base no balanço

Custo menos depreciação e perdas

Valor justo na data do balanço

Depreciação

Sim

Não

Variação de valor

Não afeta o resultado

Reconhecida no resultado do período

Valor justo

Divulgado em nota explicativa

Refletido no próprio balanço

O que se enquadra como propriedade para investimento

Propriedade para investimento é o imóvel, terreno ou edifício, ou parte de um edifício, ou ambos, mantido pelo proprietário ou pelo arrendatário em arrendamento para auferir aluguel, para valorização do capital, ou para ambos os fins. O traço que define a categoria é a finalidade: gerar fluxo de caixa de forma amplamente independente dos demais ativos da entidade. É isso que a distingue do imóvel de uso próprio.

A fronteira com outras categorias é o ponto que mais gera erro. Um imóvel ocupado pela própria entidade, para produção, administração ou prestação de serviços, é imobilizado e segue o CPC 27. Um imóvel destinado à venda no curso ordinário do negócio, como as unidades de uma incorporadora, é estoque e segue o CPC 16. Um imóvel em construção ou desenvolvimento por conta de terceiros segue o pronunciamento de contratos. Quando um mesmo imóvel tem partes com finalidades distintas, parte alugada a terceiros e parte de uso próprio, a norma pede que se contabilize separadamente se as partes puderem ser vendidas ou arrendadas separadamente. Se não puderem, o imóvel só é propriedade para investimento quando a parcela de uso próprio for insignificante.

Finalidade do imóvel

Classificação

Pronunciamento

Alugar a terceiros ou valorizar capital

Propriedade para investimento

CPC 28

Uso próprio (operação, administração)

Imobilizado

CPC 27

Venda no curso normal do negócio

Estoque

CPC 16

Prestação de serviços com ativo de direito de uso

Arrendamento

CPC 06

O reconhecimento inicial e o custo

No reconhecimento inicial, a propriedade para investimento é mensurada pelo custo, que inclui o preço de compra e os gastos diretamente atribuíveis, como honorários de serviços legais, tributos de transferência e demais custos de transação. Gastos com manutenção do dia a dia não entram no valor do ativo, vão para o resultado. Custos de abertura, perdas operacionais iniciais antes de o imóvel atingir a ocupação planejada e desperdícios também não são capitalizados. Quando a aquisição se dá por arrendamento, o reconhecimento segue a interação com o pronunciamento de arrendamentos.

Esse ponto de partida é comum às duas políticas de mensuração subsequente. A diferença aparece depois, e é a escolha que define o perfil contábil da entidade.

A escolha que define o balanço: custo ou valor justo

Após o reconhecimento inicial, a entidade escolhe uma política contábil e a aplica a todas as suas propriedades para investimento: o método do custo ou o método do valor justo. A escolha não é ativo a ativo, é para a classe inteira, e mudança de política só se justifica se resultar em demonstrações mais apropriadas, o que raramente se admite ao abandonar o valor justo.

No método do custo, o imóvel permanece registrado pelo custo menos depreciação acumulada e menos eventuais perdas por redução ao valor recuperável, como qualquer imobilizado. O valor justo não deixa de importar: mesmo quem adota o custo precisa divulgar o valor justo das propriedades para investimento em nota explicativa. A transparência do valor de mercado é exigida das duas políticas; o que muda é se ele entra no balanço ou só na nota.

No método do valor justo, a propriedade é mensurada pelo valor justo a cada data de balanço, e a variação, ganho ou perda, é reconhecida diretamente no resultado do período. Não há depreciação. Essa é a característica mais marcante da norma e a que mais afeta a leitura das demonstrações: o resultado passa a incorporar a valorização ou a desvalorização dos imóveis, que pode ser volátil e que não corresponde a caixa realizado. Em fundos imobiliários e holdings de renda, é comum que uma parcela expressiva do resultado de um período venha dessa remensuração, e não do aluguel efetivamente recebido.

A mensuração do valor justo segue a hierarquia e os princípios do pronunciamento de valor justo, refletindo as condições de mercado na data do balanço, sem deduzir custos de transação de venda. Para imóveis, a ausência de um mercado ativo e observável costuma empurrar a mensuração para níveis que dependem de premissas, o que eleva a importância da avaliação técnica e do julgamento.

Transferências e baixa

A norma disciplina as transferências de e para a categoria. Elas só ocorrem quando há mudança de uso evidenciada por fatos, não pela mera intenção da administração. O início do uso próprio transfere o imóvel para imobilizado; o início de um arrendamento operacional a terceiros pode transferir imobilizado para propriedade para investimento; o início do desenvolvimento para venda transfere para estoque. Quando a entidade adota o valor justo, as regras definem o valor a considerar no momento da transferência e o tratamento das diferenças apuradas. A baixa ocorre na alienação ou quando a propriedade é retirada de uso permanentemente e nenhum benefício econômico futuro é esperado, com o ganho ou a perda reconhecido no resultado.

O que o auditor examina

Para o auditor, a propriedade para investimento concentra risco em três frentes. A primeira é a classificação: confirmar que cada imóvel está na categoria certa, porque uma reclassificação indevida muda depreciação, remensuração e resultado. A segunda é a mensuração do valor justo, quando adotado, onde o auditor avalia a competência e a objetividade de quem avaliou os imóveis, as premissas usadas, a consistência com as condições de mercado da data e a adequação do nível de hierarquia. A terceira é a divulgação: a política adotada, os critérios e premissas das avaliações, os valores reconhecidos no resultado e, no método do custo, o valor justo divulgado em nota. Em entidades que usam o valor justo, a materialidade da remensuração no resultado faz desse exame um dos pontos centrais do trabalho.

Caso anonimizado

Uma holding patrimonial com um portfólio de imóveis de renda adotava o método do valor justo. Em um exercício de mercado aquecido, cerca de metade do resultado do período veio da remensuração dos imóveis, e não dos aluguéis. A auditoria concentrou esforço nas premissas da avaliação, em especial nas taxas de capitalização aplicadas e na comparabilidade das referências de mercado, e na divulgação que separava o resultado de remensuração do resultado recorrente de locação. O ajuste pedido não foi no valor dos imóveis, mas na clareza da divulgação, para que o leitor distinguisse o ganho de valor justo, não realizado em caixa, do fluxo efetivo de aluguéis. Foi a transparência da composição do resultado, mais do que o número em si, que definiu a qualidade da informação.

Como a MERC pode ajudar

O CPC 28 coloca sobre a mesa decisões de política contábil e de mensuração que mudam o perfil de risco e o resultado de fundos imobiliários, holdings e empresas com imóveis de renda. A MERC Audit & Advisory audita essas estruturas com atenção à classificação correta, à robustez das premissas de valor justo e à qualidade das divulgações, e a MERC Capital apoia a avaliação independente de imóveis dentro de operações de estruturação e reorganização patrimonial. Para quem precisa que a remensuração passe pelo escrutínio de um reporte técnico consistente, esse é o terreno de atuação da firma. Fale com a equipe pelo contato da MERC para conversar sobre o seu caso.

Perguntas frequentes

Toda empresa com imóvel alugado usa o CPC 28?

Quando o imóvel é mantido para auferir aluguel ou valorização de capital, e não para uso próprio ou venda no curso normal do negócio, ele é propriedade para investimento e segue o CPC 28. A finalidade da posse define a classificação.

É obrigatório usar o valor justo?

Não. A entidade escolhe entre o método do custo e o método do valor justo e aplica a escolha a toda a classe. Quem adota o custo ainda precisa divulgar o valor justo em nota explicativa.

No método do valor justo há depreciação?

Não. O imóvel é remensurado ao valor justo a cada balanço e a variação vai para o resultado do período, sem registro de depreciação.

A variação de valor justo é lucro distribuível?

É um ganho reconhecido no resultado, mas não corresponde a caixa realizado. A decisão sobre distribuição depende das regras societárias e estatutárias; a boa divulgação separa o resultado de remensuração do resultado recorrente de locação.

Quando um imóvel pode ser transferido para outra categoria?

Só quando há mudança efetiva de uso evidenciada por fatos, como o início do uso próprio, o início de um arrendamento a terceiros ou o início do desenvolvimento para venda. A mudança não decorre apenas da intenção da administração.

Guia técnico: CPC 28: como contabilizar propriedade para investimento

Guia técnico em PDF com o resumo prático deste artigo, para consulta e uso no dia a dia.