Compliance, rotina e governança fiscal
Matriz de risco tributário
Inventário dos riscos tributários da empresa, classificados por probabilidade, efeito financeiro e qualidade da documentação que os sustenta.
A matriz de risco tributário reúne em um só documento as exposições fiscais conhecidas da empresa. Cada linha descreve o tema, o tributo envolvido, o período alcançado, a posição adotada pela companhia, o fundamento dessa posição e a qualidade da prova disponível. A partir daí vem a classificação de probabilidade de perda e de efeito financeiro. O objetivo não é acumular alertas. É permitir que a administração decida onde agir primeiro, o que provisionar, o que corrigir e o que apenas monitorar. Sem esse inventário, a discussão sobre risco fiscal acontece por episódio, quase sempre quando a intimação chega, e nunca com visão do conjunto.
A parte difícil é a classificação. Provável, possível e remoto não são adjetivos de opinião. São categorias com efeito contábil definido, que determinam provisão, divulgação em nota explicativa ou nenhum registro. A classificação precisa de fundamento escrito, com a jurisprudência e a posição administrativa aplicáveis ao tema, e precisa ser revista quando esse cenário se altera. Decisão favorável em tribunal superior não elimina o risco de forma automática, porque alcance, modulação e trânsito em julgado importam. Classificação otimista reduz provisão hoje e produz ajuste desconfortável depois. Classificação conservadora em excesso imobiliza capital e distorce resultado. As duas falhas custam caro.
A MERC constrói a matriz a partir de fontes objetivas: processos em curso, autuações anteriores, achados de diagnóstico, posições fiscais agressivas identificadas e obrigações em atraso. Para cada linha registra o fundamento, a prova existente e a prova que falta. A classificação é discutida com as equipes tributária e de auditoria da casa, para que o efeito contábil seja tratado no mesmo movimento. A matriz é entregue com data e com critério de revisão, porque documento de risco sem atualização perde valor rapidamente. Quando a posição adotada não tem sustentação, a firma a classifica como exposição e recomenda correção, sem apresentar o tema como oportunidade de tese.
O que examinamos
- Processos administrativos e judiciais em andamento
- Autuações anteriores e seus fundamentos
- Posições fiscais adotadas sem parecer formal
- Qualidade da prova documental de cada tema
- Efeito contábil da classificação atribuída
- Prazos de decadência e prescrição em curso
- Norma aplicável
- A classificação dialoga com o pronunciamento contábil sobre provisões, passivos contingentes e ativos contingentes, e com a legislação de cada tributo. O fundamento de cada tema considera a jurisprudência administrativa e judicial vigente, que precisa ser revisitada a cada atualização da matriz.
- Entregável
- Matriz datada com os riscos classificados, o fundamento de cada classificação, o efeito contábil e a prioridade de tratamento.
